domingo, 14 de maio de 2017

As mães da minha estante

Hoje é dia das mães. Já são quase 19h, está um pouco tarde, eu sei, mas ando tendo menos tempo do que gostaria para fazer as coisas que gostaria. Estava aqui pensando e resolvi escrever sobre mães que me marcaram nos livros lidos da minha estante. Algumas são personagens fictícias, outras são personagens reais, mas são todas uma representação forte do que eu entendo como ser mãe: a entrega total aos filhos, a força, a abnegação, a dedicação, a luta. Assim, vamos a elas:

Ana Terra
É uma das minhas personagens favoritas não só em O Tempo e O Vento, obra-prima de Erico Veríssimo, mas também na literatura. Ana Terra, ainda adolescente, vive com a família em uma estância no meio do nada no Rio Grande do Sul. Se apaixona por Pedro Missioneiro, mestiço que ela encontra ferido no riacho e que acaba por ser acolhido em casa para ajudar na lida com a terra e os bichos. Quando Ana descobre que está grávida, o pai e os irmãos matam Pedro. Mãe solteira, Ana vê a mãe morrer logo em seguida, e se torna a mulher da casa, cuidando dos homens que ali viviam. Pedrinho, seu filho, já era um menino quando a estância foi invadida por castelhanos. Ana esconde o filho, a cunhada e o sobrinho, e se junta ao pai e aos irmãos para enfrentar os invasores. Os homens são todos assassinados, e Ana é estuprada até perder a consciência. Quando acorda, junta o pouco que sobrou e parte rumo ao vilarejo de Santa Fé, onde vive até o fim da vida com o filho e os netos, usando a velha tesoura da mãe para trazer ao mundo os filhos dos que lá habitam.

Nas palavras do autor: "Ana sentia-se animada, com vontade de viver. Sabia que, por piores que fossem as coisas que estavam por vir, não podiam ser tão horríveis como as que já tinham sofrido. Esse pensamento dava-lhe uma grande coragem. E ali, deitada no chão, a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra. A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino." (VERÍSSIMO, 2004: p. 162)

Bibiana Terra Cambará
Mais uma personagem de O Tempo e O Vento, eu sei. É que essa obra tem tantos personagens incríveis, masculinos e femininos. Bibiana também é uma das minhas personagens favoritas nessa obra e na literatura. Resiliência é a palavra que a define melhor, eu acho. Vejam só: Bibiana se casa com o Capitão Rodrigo Cambará (que é outro personagem que eu adoro, apesar do machismo e de ele aprontar todas e mais algumas com a cara dela), muito a contragosto da família. Por amor, ela enfrenta o pai e vai viver o grande amor de sua vida. Acontece que Capitão Rodrigo era bicho solto, e logo se cansa da vida de casado, deixando Bibiana sozinha por meses a fio para fazer compras em outra cidade e também para guerrear. Com ele, Bibiana tem três filhos: Bolívar, Anita e Leonor, e a do meio morre de febre numa noite de bebedeira do pai. Tempos mais tarde, o Capitão morre também na invasão à casa da família Amaral, os "donos" de Santa Fé. Bibiana vê o pai ir preso e a família perder a casa onde ela crescera. Resignada, acompanha o crescimento do filho, e quando ele se casa com Luzia, filha do homem que derrubara a casa de seu pai e ali construíra um sobrado, Bibiana toma novamente posse do chão que um dia havia sido seu. Vê o filho Bolívar ser assassinado, e, quando Luzia morre, assume a criação do neto Licurgo. É a grande matriarca da família Terra Cambará.

Nas palavras do autor: "Quem vai criar esse menino sou eu - disse Bibiana para si mesma. Se quiserem me tirar ele, eu brigo, como uma galinha defendendo seus pintos. Começou a fazer cálculos... Tinha cinqüenta anos: podia bem durar mais vinte... ou vinte e cinco, e assim veria Licurgo homem-feito, encaminhado na vida. Aquele menino, que tinha o sangue do cap. Rodrigo Cambará, ia ser o dono do Sobrado, dos campos do Angico e de milhares de cabeças de gado. Seu peito inflou-se de contentamento e esperança."

Graciela
Graciela é mãe de Beatriz e esposa de Santiago, preso político condenado por ter participado de uma guerrilha no Uruguai. Mãe e filha se mudam para a Argentina junto do sogro, Dom Rafael, e de um amigo de Santiago, Rolando. Graciela acaba por se apaixonar por Rolando, e os dois começam a ter um caso, sem saber como vão contar a verdade a Santiago quando ele sair da prisão. Pode-se dizer que Graciela é, das três citadas aqui até agora, a mais, digamos, moderna. Privada do contato com o marido, toma a iniciativa de ter relações sexuais com Rolando (muito errado trair o marido preso, concordo, mas não deixa de ser interessante ver uma mulher assumir assim seu desejo). Além disso, cuida sozinha da filha que, num país estrangeiro, tem que lidar com o preconceito dos colegas da escola por ser filha de um preso político. Ao mesmo tempo, tem que lidar com suas próprias questões pessoais. Quantas mães hoje em dia não passam por situações parecidas?

Nas palavras do autor: "- Confesso que nunca atentei para esse detalhe. Mas é possível.
- Mas eu sempre observei. Porque desde menina, quando viajava de trem, adorava olhar a paisagem. Era um de meus prazeres favoritos. Nunca lia nos trens. Até hoje, não gosto de ler quando viajo de trem. Fico fascinada com a paisagem vertiginosa que corre ao meu lado, mas em direção contrária. Mas quando vou sentada para a frente, parece que a paisagem vem para mim, sinto-me otimista, sei lá.
- E se estiver olhando para trás?
- Parece que a paisagem se esvai, se dilui, morre. Francamente, me deprime.
- E agora, como está sentada?
- Não brinque. Foi o que percebi no outro dia quando comecei a reler as cartas de Santiago. Ele, que está na prisão, escreve como se a vida viesse a seu encontro. Eu, em compensação, que por assim dizer vivo em liberdade, tenho às vezes a impressão de que a a paisagem vai se afastando, diluindo, acabando.
- Nada mal. Como intenção poética, é claro.
- Intenção poética coisa nenhuma. Nem mesmo prosa. É simplesmente como me sinto.
- Bem, agora estou falando sério. Sabe que esse seu estado de espírito me preocupa? E, embora esteja convencido de que cada um é o único que pode resolver seus próprios problemas, acho também que alguém de muita confiança pode ajudar às vezes, só ajudar. E me ofereço para essa ajuda relativa. Mas é essencial que você mergulhe em si mesma.
- Mergulhar em mim mesma? Pode ser. Pode ser. Mas não tenho certeza de que vou gostar."

Angelina Gattai
Zélia Gattai é uma memorialista de mão cheia. Que delícia é ler Anarquistas, Graças a Deus! Já li várias vezes, e em todas elas terminei o livro me sentindo quase um membro da família. Imigrante italiana anarquista, Angelina dá conta do marido, dos filhos, dos bichos, da casa. É uma autêntica Mama, mas é também dona de  uma imensa consciência política social, e faz questão de transmitir aos filhos suas crenças. Dona Angelina era dura na queda!

Nas palavras da autora: "Mamãe interrompeu seu trabalho, levantado o pesado ferro de engomar. Não acreditava no que ouvia.
- Você leu direito?
- Claro que li.
- Mas será possível uma coisa dessas? Justo hoje que convidei a regina para ir com a gente...
Vera achou fraca a reação da mãe, longe da que esperava. Botou mais lenha na fogueira.
- O Terêncio estava lá, Mãe, varrendo e lavando o cinema. Perguntei pra ele se criança também pagava entrada inteira. Aí, ele começou a caçoar de mim: 'Cinema hoje é pra quem pode. Quem não pode vai torcer rabo de bode. E quer saber de uma coisa? Criança hoje vai pra cama cedo; são ordens do chefe. Ninguém entra de graça. Entrada inteira até pra criança de colo.'
Diante do último detalhe do relato, mamãe subiu a serra! Pousou o pesado ferro quente para melhor gesticular.
Vera adiantou-se; precisava dar conta do recado - não havia ainda contado tudo -, ajudar a mãe a estourar de raiva:
- Terêncio disse que o patrão vai se encher dos cobres. Que ele faz muito bem de cobrar entrada inteira, que todo mundo está doido para ver o filme.
- Vigliacchi, maledetti! - explodiu dona Angelina.
- Velhacos e malditos, Mãe? - interrompeu Wanda, sempre pronta a corrigi-la. - O dono do cinema não é só um?
- Farabutti, tutti quanti! - reforçou a mamãe. - Todos esses capitalistas, exploradores dos pobres, sanguessugas do povo. Ninguém reclama, ninguém protesta e eles fazendo dos humildes gato e sapato. Aumentam os preços de tudo quando querem, sem o mínimo respeito, sem a mínima consideração. Uns atrevidos soltos nas suas ganâncias. Uns atrevidões!"

Olga Benario Prestes
O que dizer de alguém sobre quem tanto já foi dito? A história de Olga é conhecida não só pela excelente biografia de Fernando Morais, mas também pela adaptação de Jayme Monjardim para as telonas, com Camila Morgado defendendo lindamente o papel. Olga foi membro do Partido Comunista, lutou ao lado de Luís Carlos Prestes no Brasil e, por ser uma alemã de origem judaica e, ainda por cima, comunista, acabou sendo entregue por Getúlio Vargas à Gestapo quando carregava no ventre Anita, sua filha com Prestes. Olga pode ficar com a bebê por cerca de um ano, até que ela parasse de mamar (e se você não chorou com essa cena no livro, ou pior, no filme, pode ir depilar esse coração peludo aí porque você tem probleminhas, sério). Anita foi entregue a avó, e Olga foi levada a um campo de concentração. Após sete anos na prisão, a revolucionária morreu numa câmara de gás.

Nas palavras da própria: "É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas fica-te melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias, ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como eu e teu pai fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica... Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a ideia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte."

Achei curioso que aqui na minha estante habitam várias mulheres fortes, mas poucas mães. Mesmo que algumas dessas mulheres fortes dos livros sejam mães, e muitas são, a maternidade não tem um papel de grande importância dentro dos enredos. Fiquei um bom tempo olhando para as prateleiras e pensando em que mães poderia incluir nesse texto. Talvez por escrever um pouco com pressa, tenha esquecido de alguma. Pensei em escrever sobre a Úrsula, de Cem Anos de Solidão, mas acho que preciso reler esse livro antes disso. Aleida March é outra sobre quem fiquei na dúvida se incluía ou não. Acabei por deixa-la de fora, não por achar que não merecesse estar aqui, mas também por sentir que minhas leituras sobre ela foram muito superficiais.

Aproveito o final desses escritos pra deixar uma homenagem a minha mãe, Edna. Se hoje sou quem eu sou, muito é por ela e por causa dela. Ela pode achar que não, mas aprendo com ela todos os dias. E digo aqui, numa linguagem só nossa, Vivi ami Mami.

sábado, 13 de maio de 2017

Mulheres além do tempo

(O texto a seguir não tem qualquer intenção de ser uma análise literária do livro de José Saramago, Memorial do Convento. É baseado nas minhas impressões pessoais a respeito da obra, leituras que fiz sobre o mesmo e anotações das aulas de Literatura Portuguesa que tive no Mackenzie)

Não, ainda não terminei de ler Memorial do Convento, mas faltam menos de 100 páginas. Qualquer dia desses eu termino. Por enquanto, quero escrever aqui sobre uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção nesse livro que, aliás, é muito bom.

Memorial do Convento foi publicado, vejam só, em 1982, mesmo ano em que eu nasci. Saramago constrói uma narrativa ficcional pra fazer um resgate histórico do passado de Portugal, ao mesmo tempo em que critica o Portugal contemporâneo. Só mesmo um gênio pra usar uma história por trás da construção do Convento de Mafra para criticar a situação de um país recém-saído de uma longa ditadura. Mas, enfim, não é sobre isso que eu quero falar. Na verdade, talvez seja sobre isso também, afinal, há uma interseção entre os assuntos.

Existem duas personagens femininas de destaque no livro: a rainha D. Maria Ana Josefa e a plebeia Blimunda. A primeira, embora mencionada algumas vezes apenas no decorrer da trama, tem papel importante por ser, de certa forma, a grande responsável pela construção do Convento de Mafra. A segunda, junto de Baltasar Sete-Sóis, é protagonista da obra. Me chamou a atenção a forma como essas duas personagens são construídas por Saramago.

D. Maria Ana aparece logo na primeira página do livro, na seguinte passagem:

"D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher. D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou. Já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca, insinuação muito resguardada de orelhas e bocas delatoras e que só entre íntimos se confia. Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim, por isso são repudiadas tantas vezes, e segundo, material prova, se necessária ela fosse, porque abundam no reino bastardos da real semente e ainda agora a procissão vai na praça. Além disso, quem se extenua a implorar ao céu um filho não é o rei, mas a rainha, e também por duas razões. A primeira razão é que um rei, e ainda mais se de Portugal for, não pede o que unicamente está em seu poder dar, a segunda razão, porque sendo a mulher, naturalmente, vaso de receber, há de ser naturalmente suplicante, tanto em novenas organizadas como em orações ocasionais."

Reparem no que é dito aí sobre a rainha: chegou para dar filhos à coroa, mas ainda não "emprenhou"; provavelmente tem "a madre seca", ou seja, é estéril, afinal, esterilidade é problema das mulheres e não dos homens, visto que o rei já tem vários bastardinhos espalhados pelo reino; a mulher é um "vaso de receber", ou seja, está ali apenas para receber "os fluidos" do marido e gerar filhos, e ainda tem que rezar pra que isso aconteça logo.

Oi?

Pois é. Machismo, machismo, machismo.

Vale lembrar que a narrativa do Saramago acontece no século XVIII. Acontece que qualquer semelhança com a época em que a obra foi publicada e, sim, com os tempos atuais, infelizmente não é mera coincidência.

Estamos em pleno século XXI e nós mulheres ainda somos vistas por muita gente - inclusive, pasmem, por outras mulheres - como meros "vasos de receber" que estão ali somente para receber "os fluidos" dos machos garanhões. Lembra das Mulheres de Atenas, do Chico? A música é 6 anos mais velha que o livro, mas discute questões semelhantes.

Quando Memorial do Convento foi publicado, em 1982, Portugal era um país recém saído de uma ditadura de décadas. Dez anos antes, ainda durante a ditadura salazarista, as "três Marias" - Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta - publicaram "As Novas Cartas Portuguesas", obra que rompe totalmente com o conceito "bela, recatada e do lar" que vigorava para as mulheres da época, já que as autoras falam, entre outras coisas, da sexualidade feminina e da condição da mulher na sociedade. Claro que a obra foi censurada e as autoras, processadas. Não era bem visto, quiçá permitido, falar sobre mulheres da forma como as Marias falaram.

Assim, não sei se Saramago intencionalmente usou a figura de D. Maria Ana para discutir o papel da mulher no passado e no presente. Quero crer que sim, já que ele usa o passado para refletir sobre o presente.

E é aí que entra Blimunda.

Plebeia que tem poderes sobrenaturais, assim como a mãe que foi banida para Angola, é através dela que Saramago aborda as dúvidas e inquietações do ser humano, como a morte, o amor, o pecado e até mesmo a existência de deus.

Se D. Maria Ana é descrita logo no começo do livro como a rainha submissa que espera pela visita do marido ao seu quarto com o único objetivo de fazer herdeiros para a coroa, Blimunda aparece de maneira totalmente diferente:

"(...) e então, sendo tanta a claridade, pôde Sete-Sóis dizer, Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes, se com ela não pudeste falar, Sei que sei, não sei como sei, não faças perguntas a que não posso responder, faze como fizeste, vieste e não perguntaste porquê, E agora, Se não tens onde viver melhor, fica aqui, Hei de ir para Mafra, tenho lá família, Mulher, Pais e uma irmã, Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires, Por que queres tu que eu fique, Porque é preciso, Não é razão que me convença, Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste, Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro, Se eu ficar onde durmo, Comigo.

Deitaram-se. Blimunda era virgem. Que idade tens, perguntou Baltasar, e Blimunda respondeu, Dezanove anos, mas já então se tornara muito mais velha. Correu algum sangue sobre a esteira. Com as pontas dos dedos médio e indicador humedecidos nele, Blimunda persignou-se e fez uma cruz no peito de Baltasar, sobre o coração. Estavam ambos nus."

Blimunda, ao contrário da rainha, toma a iniciativa, chama Baltasar para dormir com ela e partir daquele momento começa a construir com ele uma relação de cumplicidade e amor e, claro, sexo. O casal vai na contramão e transgride costumes morais e religiosos: a mulher toma a iniciativa, o sexo acontece pelo desejo e não pela reprodução, e só muitos anos depois daquela primeira noite é que o padre Bartolomeu de Gusmão realiza uma espécie de casamento entre os dois, já que não segue os ritos propriamente ditos. Ou seja, Blimunda é uma mulher muito a frente do seu tempo.

Mas, peraí. Que tempo? O século XVIII ou o início dos anos 80, quando o livro foi publicado? Pois então. Blimunda está muito a frente do século XVIII, dos anos 80 e acho que até um pouquinho dos dias atuais também, infelizmente.

Eu sei que os tempos estão mudando e que graças ao feminismo já avançamos muito na questão do papel que a mulher tem na sociedade, da liberdade sexual da mulher, da maternidade, mas a vida ainda não é lá um mar de rosas pra nós. Ainda somos julgadas por transar com um cara no primeiro encontro - às vezes pelo cara, às vezes pela amiga, às vezes pela sociedade, enfim -, ou se não queremos casar, se não queremos ter filhos, por nos posicionarmos como seres pensantes e críticos. Eu sei, eu sei que tudo isso está mudando, mas, convenhamos, ainda caminhamos a passos lentos. Basta pensar que um dos possíveis candidatos à presidência do país em 2018 é um cara que faz apologia ao estupro e acha que mulheres deveriam ganhar menos porque temos que parar de trabalhar quando temos filhos (eu me recuso a escrever o nome desse cidadão aqui).

Digo mais uma vez que não sei se de fato foi intenção do autor escrever a personagem assim para questionar, entre outras coisas, o papel da mulher na sociedade de ontem e de hoje. Quero crer que sim, até porque Blimunda está se tornando uma das minhas personagens favoritas na literatura. Talvez depois eu procure ler mais sobre esse assunto e possa dizer com propriedade se ele fez de caso pensado ou não.

Por hoje, termino esse texto com um, digamos, apelo: sejamos mais Blimundas e menos D. Marias.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

No episódio de hoje, aprendemos que:

  • Eu abandono muitos livros pela metade sem saber exatamente porquê;
  • Eu compro muitos livros pela capa; uma capa bonitona me ganha facim, facim;
  • Eu ganho muitos livros de presente (pode continuar dando, gente, eu amo!);
  • Eu era tiete da Cosac Naify, daí virei tiete da Tinta da China;
  • Eu compro muitos livros por impulso;
  • Eu tenho sérios problemas de consumismo.
Acho que é isso. Mais alguma coisa?

A lista (comentada) dos livros não lidos da minha estante

Resolvi divulgar aqui a tal lista dos livros não lidos e/ou lidos pela metade da minha estante. Vou fazendo alguns comentários no caminho, até porque muitos deles têm alguma história ou peculiaridade.

A lista não segue uma ordem muito lógica. Na verdade, segue mais ou menos a organização da minha estante, que é a seguinte: uma prateleira com livros teóricos usados na faculdade de Letras e livros de variedades tipo "1001 discos para ouvir antes de morrer", outra com livros de literatura norte-americana e inglesa e também literatura "estrangeira" (porque os autores são de países diversos), depois vêm uma prateleira de literatura latino-americana e portuguesa, a penúltima é de literatura brasileira e a última é de livros de viagem e culinária.

Dadas as devidas explicações, vamos aos títulos e autores:

1. Songs my mother taught me - Marlon Brando
Comprei esse livro porque sempre achei o Brando um dos maiores atores de todos os tempos. É um livro bem bonito, capa dura, e custou só 12 dólares na Amazon, na época que a moeda americana estava por volta dos 2 reais. Fui deixando pra ler depois, e aí veio aquela história da Maria Schneider, da cena com a manteiga em O Último Tango em Paris. Ainda acho que ele é um dos maiores atores de todos os tempos, mas minha admiração por ele deu uma boa caída depois disso. E aí, como ler uma biografia da pessoa depois disso? Pois é.

2. Sartoris - William Faulkner
Eu nunca li nada do Faulkner. Comprei esse livro num bota-fora da Cosac Naify (#sddsCosac<3) há uns dois anos porque estava custando algo entre 5 ou 10 reais.

3. O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
4. Por Quem os Sinos Dobram - Ernest Hemingway
5. The Complete Stories of Ernest Hemingway
Hemingway vem a ser um dos meus autores favoritos, apesar desses 3 livros não lidos. Na verdade, não terminados. Comecei O Velho e o Mar, não terminei. Comecei Por Quem os Sinos Dobram, não terminei. Li alguns dos contos em The Complete Stories of Ernest Hemingway. Os dois primeiros vieram num box com quatro livros dele que ganhei de natal da minha irmã (li dois dos quatro livros, yay!). O que me desanima é que eu realmente gostaria de ler esses dois livros na língua original, mas, pelo jeito, vou ter que ler em português primeiro. É o que tem pra hoje, como dizem por aí.

6. Os Pássaros - Frank Baker
Nunca tive vontade de ler esse livro. Vi o filme do Hitchcock e isso já foi perturbador o bastante na minha vida, tanto que tenho pavor de passarinhos e grito se um pombo voa perto de mim na rua. Ganhei esse livro de presente, sem selo de troca, só que ele é bonito e fiquei com dó de me desfazer. Agora ele está aqui, esperando ser lido.

7. Alice's Adventure in Wonderland - Lewis Carroll
Já li a versão em português, comentada, inclusive. Comprei esse porque é uma edição linda (ao longo desse post, você vai perceber que eu tenho um problema sério com livros bonitos) e estava barato. Além disso, Alice no País das Maravilhas vem a ser um dos meus livros favoritos.

8. The Secret Garden - Frances Hodgson Burnett
Esse é, sem dúvida, um dos livros mais bonitos na minha estante. Ganhei de aniversário ou natal (as duas datas são bem próximas) da minha irmã. Adoro o filme, espero gostar do livro também.

9. Tender is the Night - F. Scott Fitzgerald
Foi presente de aniversário ou natal também. Uns anos atrás, li quase toda a versão em português, até ter que devolver pra biblioteca do Mackenzie e por algum motivo não poder renovar mais. Agora (quando vai ser esse "agora"eu não sei) vou ler a versão original.

10. Strange Fruit - David Margolick
Porque quando você vê uma biografia da Billie Holiday por 5 reais no bota-fora da Cosac Naify você compra. Simples assim.

11. Mentes Consumistas - Ana Beatriz Barbosa Silva
Comprei esse livro porque gasto demais. Pode rir, eu deixo, e ainda rio junto. Comecei a ler, até fiz um dos testes do livro, mas um TCC entrou no meio do caminho. A ideia é ler esse logo que terminar Memorial do Convento, por motivos óbvios.

12. O Perseguidor - Julio Cortázar
Porque quando você vê um livro do Cortázar de capa dura e linda no bota-fora da Cosac Naify por 5 (ou 10, não lembro de cabeça agora) reais, você compra. Simples assim.

13. Antologia da Literatura Fantástica - Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo
Senta que lá vem história: no primeiro semestre da faculdade de Letras no Mackenzie tive Teoria da Literatura com a maravilhosa Ana Lúcia Trevisan, que trabalhou em aula alguns contos de literatura fantástica maravilhosos. Daí um dia estava eu fazendo hora em alguma livraria e dou de cara com esse livro. Você já viu como ele é lindo? Não? Pois veja. Foi amor à primeira vista, mas nosso namoro demorou muito pra virar casamento. Por ser um livro tão lindo, não era lá dos mais baratos. Foi ele o motivo da minha ida ao tal bota-fora da Cosac Naify, e você não imagina o tamanho da minha decepção quando vi que ele não estava à venda por lá. Mais de dois anos depois da nossa primeira troca de olhares, ele entrou numa promoção de Black Friday da Livraria da Vila, e só então veio morar comigo. Já cheguei a ler alguns dos contos, mas não todos. Sei que ele, sem dúvida, entra no top 5 dos livros mais bonitos da minha estante.

14. História do Pranto - Alan Pauls
Li O Passado, do mesmo autor, logo depois de ver o filme, e gostei tanto que é um daqueles livros lidos e relidos várias vezes (sou dessas). Depois vi - na Folha, acho - que ele estava lançando um novo livro, História do Pranto. Desde então queria comprar, mas nunca estava disponível nas livrarias, ou, quando estava, custava caro. Livros da Cosac Naify nunca foram lá dos mais baratos, convenhamos. Também não fazia parte do bota-fora, pelo menos não quando eu fui. Não lembro quando comprei, nem quanto paguei. Só sei que ele está aqui, começado mas não terminado.

15. Correio do Tempo - Mario Benedetti
Benedetti vem a ser um dos meus autores favoritos. Primavera num Espelho Partido vem a ser um dos melhores livros que já li na vida, e olha que não foram poucos. Esse foi o quarto que comprei dele. Comecei a ler, mas não lembro porque não terminei.

16. Canto Geral - Pablo Neruda
Sempre quis ler Neruda. Continuo querendo. Esse foi presente da minha madrinha.

17. Coração Tão Branco - Javier Marías
Comprei esse totalmente por impulso. É um daqueles pockets da Companhia das Letras. Se não me engano, foi numa época em que eu passava muitas horas por dia dentro de ônibus, e por isso estava lendo muito. Fui numa livraria, gostei do título, gostei da capa, comprei. Comecei a ler, mas não terminei.

18. A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
Meu livro favorito, que eu já perdi as contas de quantas vezes eu já li, que virou tatuagem no meu braço direito e que está presente em dois exemplares na minha estante - um velho, rabiscado e cheio de anotações; o outro, mais novo, quase intocado, lindo, ilustrado - vem a ser Os Maias, do Eça de Queirós. Pra mim, é o melhor autor português. Ganhei A Cidade e as Serras de presente da minha madrinha, outra apaixonada pelo Eça.

19. Os Meus Sentimentos - Dulce Maria Cardoso
Li O Retorno, da mesma autora, e me apaixonei. Que livro delicioso! Gostei tanto que talvez vire tema de uma dissertação de mestrado. Por gostar da autora, e também por ter vontade de estudar sobre ela, comprei Os Meus Sentimentos na promoção da Saraiva do Dia da Mulher.

20. Breviário do Brasil - Agustina Bessa-Luís
A primeira coisa que me chamou atenção nesse livro foi a capa, confesso. A Tinta da China veio substituir o vazio que a Cosac Naify deixou nesse meu coraçãozinho apaixonado por livros. Ver que o livro era da Agustina, autora sobre quem ouvi falar muito bem na faculdade, fez com que ele entrasse na minha cartinha para o Papai Noel ano passado. Pois bem, deu certo, o bom velhinho (minha madrinha, na verdade) trouxe essa lindeza de presente pra mim. Comecei a ler, o livro é muito bom, mas acabei trocando por outra leitura que agora não lembro qual.

21. As Palavras Não se Afogam ao Atravessar o Atlântico - Carlos Vaz Marques
Livro de entrevistas que eu comprei por dois motivos: tem entrevistas com o Saramago e com a Dulce Maria Cardoso (as duas únicas que eu li, aliás), e também porque é lindo. Tinta da China, né?

22. Mulheres de Cinzas - Mia Couto
Comprei por impulso, porque sempre quis ler um livro do Mia Couto e esse estava bem barato no dia. Comecei a ler e estava gostando bastante, mas mudei de casa no meio da leitura e aí acabei deixando de lado. Lembro que estava gostando bastante.

23. Caminhos Cruzados - Erico Veríssimo
24. Incidente em Antares - Erico Veríssimo
Erico é um dos meus autores favoritos. Acho que é o escritor de quem já li mais livros: só O Tempo e o Vento são sete livros, alguns que li mais de uma vez. Caminhos Cruzados foi mais um presente da madrinha. Incidente em Antares eu comprei na promoção da Saraiva do Dia da Mulher.

25. Sagarana - Guimarães Rosa
26. Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
Li Primeiras Estórias pro vestibular, muuuuitos anos atrás. Depois tive que ler um dos contos do Sagarana e uns trechos do Grande Sertão: Veredas pra faculdade de Letras há uns dois anos. Guimarães é bom, muito bom, mas não é leitura das mais fáceis. Um dia eu chego lá.

27. Antologia Poética - Manuel Bandeira
28. Antologia Poética - Carlos Drummond de Andrade
Os dois foram presentes da madrinha. Já dei umas folheadas, li um poema aqui, outro ali, mas ler tudo, assim, tudo mesmo, ainda não li não.

29. Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
Não sei porquê comprei esse livro. Talvez só por ser da Clarice, talvez também pelo título. Fato é que comecei a ler, fiz até uns rabiscos, mas depois parei.

30. Uma Breve História do Samba - Lira Neto
Esse eu fiquei namorando de longe. Além de gostar de samba, o livro é lindo (já falei que tenho um problema com livros bonitos?). Veio morar comigo depois da promoção da Saraiva no Dia da Mulher. Confesso que esse é um dos que eu mais estou com vontade de ler.

31. O Irmão Alemão - Chico Buarque
Eu gosto demais do Chico, como compositor e como escritor. Ganhei O Irmão Alemão de presente de aniversário ou natal, comecei a ler, estava gostando muito, mas, por algum motivo que eu não lembro (eu nunca lembro), parei de ler antes de terminar. Pior que nem faltava tanto assim.

32. Capitu - Paulo Emílio e Lygia Fagundes Telles
Nem sei do que se trata. Estava no bota-fora da Cosac Naify e vi um capa onde estava escrito Capitu por um valor de 5 ou 10 reais e nem pensei. Agora está aqui, esperando ser lido.

33. Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século
Ganhei da madrinha. Alguns contos eu até já li, mas não nesse livro que está na minha estante.

34. A Vida Como Ela É - Nelson Rodrigues
Mais um dos que eu comprei meio por impulso. Estava lendo, mas aí comecei a planejar minha viagem pra Portugal e Espanha, aí parei.

35. Risíveis Amores - Milan Kundera
Comprei porque sempre quis ler alguma coisa do Kundera. Esse estava baratinho, pois é pocket, e gostei do título. Li um pouco e depois troquei por outra leitura, só não lembro qual.

36. Sangue e Champagne - Alex Kershaw
Eu cheguei quase até o final desse livro. É uma biografia do fotógrafo Robert Capa. Quem conhece o trabalho dele, sabe que ele gostava de fotografar guerras, então a história é cheia de episódios tensos. Foi minha companhia de viagem por Portugal e Espanha, mas quando voltei parei de ler. Acho que inconscientemente eu não quis chegar à parte em que ele morre. Sabe quando o Joey coloca o livro no freezer? Foi mais ou menos isso. O mais legal foi ler os fatos por trás de O Soldado Caído, uma das fotos mais famosas do Capa, e logo em seguida vê-la no Reina Sofia, em Madrid, numa área dedicada à Guerra Civil Espanhola.

37. Os Exilados de Montparnasse - Jean-Paul Caracalla
Comprei esse livro porque tinha a intenção de escrever um artigo comparando A Vida é uma Festa, do Hemingway, com Meia-Noite em Paris, do Woody Allen. O livro fala sobre a geração perdida de Paris. Até comecei a ler, mas achei meio chatinho e parei. Além disso, desisti do artigo. Aí ficou parado aqui na estante.

38. Contos Russos
Ganhei esse livro de um amigo muito querido de Fortaleza. Falei pra ele que ainda não havia lido nada de russos e ele me deu essa coletânea. Li vários dos contos do livro, mas não todos. Esse é um dos que mais tenho vontade de terminar.

39. Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
40. Sejamos Todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
Tenho vontade de ler livros da Chimamanda desde que vi o vídeo dela no TED Talks. Se você ainda não viu, veja. Pra fazer essa vontade crescer, uma amiga fez um TCC maravilhoso sobre o Americanah - tão maravilhoso que chorei baldes na banca dela. Daí comprei os dois livros na promoção da Saraiva.

41. Albert Einstein e seu Universo Inflável - Dr. Mike Goldsmith
Conhece a coleção Mortos de Fama? É incrível! Li Al Capone e sua Gangue e gostei tanto que virou até trabalho de faculdade. Daí comprei o do Einstein logo em seguida, mas acabei não lendo. Meu sonho de consumo dessa série é Elvis e sua Pelvis.

42. Madame Bovary - Gustave Flaubert
Eu tentei ler Madame Bovary quando tinha uns, sei lá, 13 ou 14 anos. Detestei e não cheguei nem à metade. Acho que ninguém deve ler Madame Bovary quando tem 13 ou 14 anos. Quem sabe agora, depois dos 30, eu goste.

43. A Metamorfose - Franz Kafka
Eu sei, eu sei, shame on me, como assim eu não li A Metamorfose? Pois é, comprei e está aqui já faz uns bons dois ou três anos, esperando pra ser lido.

44. Farenheit 451 - Ray Bradbury
Mais um dos livros que comprei por impulso, comecei a ler, estava gostando muito e sei lá por que motivo, larguei.

45. Obra Poética - Sophia de Mello Breyner Andresen
46. Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen
Li muito pouco da Sophia de Mello Breyner. Amo um poema dela que está gravado num banco no Castelo de São Jorge, em Lisboa. O primeiro livro eu fiquei anos namorando, mas ele nunca estava disponível nas livrarias aqui do Brasil. Até que numa noite de insônia, olhando o site da Livraria Cultura, vi que tinha pronta entrega. Comprei, e esse é sem dúvida o livro mais caro da minha estante. Tem umas mil páginas e eu sei lá quando vou conseguir ler tudo isso, mas, tá aqui. O outro eu comprei na promoção da Saraiva, só porque era da Sophia.

47. A Doença, a Morte e o Sofrimento Entram num Bar - Ricardo Araújo Pereira
Comprei porque gostei do título, porque é da Tinta da China e porque a capa é linda. E também porque eu gosto de literatura portuguesa vai.

48. Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - Elena Favilli e Francesca Cavallo
Esse livro, além de ser lindo, tem pequenas biografias de cem mulheres maravilhosas. Como não comprar? Além de ser uma leitura pra mim, vai que um dia eu tenho uma filha. Ou um filho também, porque também é uma ótima leitura pros meninos.

49. Memorial do Convento - José Saramago
Tinha esquecido de colocar esse na lista, confesso. Acho que talvez seja porque é o livro que estou lendo no momento. Li trechos dele na faculdade, e desde então tinha vontade de ler a obra completa. Estou gostando muito, muito mesmo, apesar de Saramago não ser uma leitura lá das mais fáceis.

Pronto! Acabou. Quarenta e oito livros. Será que um dia eu vou conseguir terminar de ler tudo isso?

P.S.: fiquei com preguiça de revisar esse post, então, se você não ficou com preguiça de ler e chegou até aqui, peço perdão por eventuais erros.


sábado, 29 de abril de 2017

Ando devagar...

... porque já tive pressa, levo esse sorriso porque já chorei demais...

Ando devagar na leitura. Muito. Nem terminei o primeiro livro da lista que também nem divulguei por aqui, até porque ainda nem tenho quem me leia. Divulguei esse blog pra uma pessoa só até agora. Porque ando devagar na escrita também.

A verdade é que eu sou uma pessoa extremamente indisciplinada. Como demais, compro demais, deixo muita coisa pra lá. Por isso tantos livros comprados e não lidos e/ou lidos pela metade. Tô tentando mudar, mas só quem já mudou alguma coisa muito marcante na vida sabe o quanto não é fácil. Sigo na luta. Segunda será um novo dia (domingo não conta, ninguém começa nada no domingo).

Enfim, a leitura de Memorial do Convento segue a passos lentos. Tenho tentado ler, mas o sono quase sempre me vence. O livro é muito bom, já pensei em muitas coisas pra escrever sobre ele aqui, mas acabo deixando pra um depois que nunca chega. Falta de disciplina da minha parte. Pois é.

Prometo (pra quem?) que vou tentar escrever algo bacana por aqui nos próximos dias. E tentar terminar o livro o quanto antes. E divulgar a lista dos quarenta e alguns não lidos e/ou lidos pela metade que me fizeram começar esse blog. 

Ah! a falta de disciplina...

sexta-feira, 31 de março de 2017

Deu saudade



"Lisboa estava ali, oferecida na palma da terra, agora alta de muros e de casas."

Foi o Saramago quem escreveu, em Memorial do Convento, o livro do momento. Me encheu de saudade da minha cidade favorita.

Do começo

Dia 08 de Março, Dia Internacional da Mulher. Passo em frente à Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, assim como quem não quer nada, e dou de cara com um anúncio de 50% de desconto em todos os livros. Cinquenta-por-cento. Em-todos-os-livros. Saí de lá com quatro na mão. Pouco depois minha irmã me contou que o desconto também valia no site, mas só para quem tivesse recebido um código. Recebi. Comprei mais sete quando cheguei em casa. Um seria um presente para outra pessoa. Todos os outros dez vieram morar comigo.

Hoje, 31 de março, resolvi organizar minha pequena biblioteca. Daí resolvi contar quantos dos livros da minha estante ainda não li, e cheguei ao número 45. Tenho mais três a receber, ainda daquela promoção, ou seja, vou chegar a um total de 48 títulos não lidos ou começados, mas não terminados. Não sei vocês, mas eu achei esse número um pouco alto, mesmo que não chegue nem perto da metade do total de livros na minha estante.

Daí pensei que talvez fosse uma boa ideia não comprar mais nenhum livrinho sequer até terminar de ler todos esses, feito que, admito, nem vou prometer cumprir porque já sei que se trata de uma missão impossível. Eu não resisto a um livro novo, a uma capa bonita, a uma promoção - começar pelo Mentes Consumistas, da Ana Beatriz Barbosa Silva, pode vir a bem a calhar, aliás. 

No entanto, mesmo que a lista venha a aumentar, quero, de verdade, terminar de ler todos os títulos da lista que fiz hoje - mesmo que um deles seja a Obra Poética da Sophia de Mello Breyner Andresen, com suas quase mil páginas. E foi assim que cheguei aqui, a esse blog, onde quero contar minhas experiências com esses livros e também falar sobre a vida. Longe de mim fazer análises profundas - das obras e da vida - aqui. A ideia é compartilhar vivências e leituras. E só.

O primeiro nome que em breve será riscado da lista é o Memorial do Convento, do José Saramago. Logo mais escrevo sobre ele por aqui.